"Lamentadores silenciosos de cabeças abaixadas, com velas alaranjadas conduzindo o caminho, prestaram homenagem a Elvis Presley em seu túmulo em Graceland --seu lar em Memphis--, para lembrar o 34º aniversário de sua morte repentina.
Milhares de devotos de Elvis, com velas em mãos, caminharam na noite úmida até os túmulos de Elvis e de seus familiares, algumas enxugando suas lágrimas enquanto passavam. Arranjos de flores e coroas em formato de coração decoraram o local onde o artista foi enterrado enquanto "If I Can Dream" e outras músicas tocavam de forma suave ao fundo.
A ideia da vigília era passar da meia-noite e entrar na terça-feira (16), marcando o aniversário da morte do Rei, que aconteceu no dia 16 de agosto de 1977. A vigília é o principal evento da "Semana Elvis", e alguns esperaram horas do lado de fora da mansão para o início da procissão.
Paula Penna chegou com sua família de Campinas, no Brasil, para sua sexta vez na vigília. Penna, que conheceu seu marido em um fã clube do Elvis, chorou e abraçou ele, sua irmã e sua tia após prestar sua homenagem.
Ela disse que as canções do Elvis ajudaram ela e sua família a atravessar bons e maus momentos. "A música de Elvis mantém a família unida", disse Pena, que também nasceu no dia 16 de agosto e vai celebrar seu aniversário de 27 anos nesta terça. "Prometo vir todo ano prestar homenagens a Elvis porque ele é muito importante para a vida da família".
Fãs como Joe Makowski --que alega ter visto Elvis ao vivo 81 vezes--, de 60 anos, e sua namorada, Pamela Hembree, estavam entre os primeiros da fila e esperaram por horas ao lado do muro de tijolos de Graceland. O nativo de Nova Jersey, que é dono de quatro lenços usados por Elvis em shows e já foi a várias vigílias, disse que era hora de apresentar Hembree à experiência da Semana Elvis honrando a vida e a carreira da estrela do rock.
"Tenho a chance de conhecer novos fãs e novas pessoas, por isso chego tão cedo pra ficar na fila todos os anos", disse Makowski, que foi a Las Vegas duas vezes ao ano de 1971 a 1976 para ver Elvis se apresentar. "A melhor coisa disso é ver os jovens fãs que não eram nem nascidos mesmo anos após sua morte".
Makowski diz admirar Elvis por conta de sua voz e de sua destreza no palco, claro, mas também por causa do conjunto de fatores que o tornavam tão legal. "Ele me ajudou a sair do casulo porque eu era um garoto tímido", disse Makowski, um ator que vive em Palm Harbor.
Visitantes chegaram do Japão, Inglaterra, Alemanha e outros países. Alguns vestiam roupas inteiras de Elvis, outros apenas marcas registradas do cantor, como óculos e costeletas.
Patrick Lucas usava costeletas e topete enquanto caminhava pela vigília com o resto dos fãs de Elvis Presley do Alabama, um clube do qual passou a ser parte pela internet. Hunter, de 22 anos, chegou de Ehlange-Mess, em Luxemburgo, para a vigília. "Tento ser como ele, no sentido em que ele sabia ser gentil e tratar bem as pessoas", disse Lucas. "Ele era uma pessoa generosa".
As temperaturas estiveram na casa dos 27 graus durante o dia, bem menos do que os sufocantes 37 graus que faziam em agosto do ano passado. De 15 a 20 mil pessoas estiverem presentes, de acordo com a estimativa da polícia e um porta-voz da Elvis Presley Enterprises --nada perto dos 75 mil que são esperados para Graceland em 2012, data que marcará os 35 anos da morte do cantor.
A vigília anual começou quando os fãs de Elvis viajaram até Graceland no ano em que ele morreu, tornando-se um evento organizado em 1982.
Neste ano, os fãs tem outra coisa para comemorar. Foi há 55 anos, em 1956, que os dois primeiros álbuns de Elvis foram lançados. Apenas naquele ano, Elvis vendeu 10 milhões de singles e 800 mil vinis.
Glenys Sites disse que ainda se lembra da primeira vez em que viu Elvis tocar "Love Me Tender". "Ele tem tudo: presença de palco, carisma, era sexy e tinha uma grande voz", afirmou. "Nunca houve alguém como ele. Acho que ele nunca morrerá".
Muitos ainda se lembram onde estavam quando descobriram que Elvis estava morto. Debbie Moller diz que estava sentada em seu sofá quando sua irmã ligou naquele dia de agosto de 1977 contando o fato. Ela não acreditou e então ligou o rádio. "Eu berrava sem parar", disse Moller, que fez camisetas do Elvis e está em sua 15ª vigília."
Assim como muitos que fazem a caminhada para ver o túmulo de Elvis e de seus familiares, Moller esperava se emocionar. "Eu choro", disse. "As músicas que eles tocam fazem você lembrar do que estava fazendo no dia em que ele morreu".
Por Adrian SainzDe Memphis, nos Estados Unidos
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