domingo, 4 de setembro de 2011

O Ser Humano não é uma Ilha


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"Somos concebidos através da interação de um homem e uma mulher, o bebê fica em contato por nove meses com a mãe e assim que nasce necessita do relacionamento com um ser humano para conseguir sobreviver, crescer e desenvolver-se. "O mim é uma invenção da humanidade (...) a humanidade criou o indivíduo" (JANET 1929, p. 422 apud GÓES, 2000 p. 116)
Goés (2000) escreve que para Pierre Janet, na origem da vida, só existe a percepção de que o próprio corpo existe com a relação de um outro corpo e continua explicando que a partir dessa percepção constrói-se o mim, que se desdobra na formação do indivíduo. [...] Pode-se falar de uma inter-relação da personalidade corporal, portanto, que se distingue do mundo, e da personalidade social, que se constitui nas relações com o grupo (GOES, 2000, p. 117).
As concepções de Vygotsky sobre o funcionamento do cérebro humano defendem que o cérebro é a base biológica, e suas peculiaridades definem limites e possibilidades para o desenvolvimento humano. Essas concepções fundamentam sua idéia de que as funções psicológicas superiores (por ex. linguagem, memória) são construídas ao longo da história social do homem, em sua relação com o mundo. Desse modo, as funções psicológicas superiores referem-se a processos voluntários, ações conscientes, mecanismos intencionais e dependem de processos de aprendizagem. Os meios utilizados pelo outro para colocar limites e/ou interpretar as ações do sujeito e os meios empregados pelo sujeito, para fazer o mesmo em relação à ação do outro, são transformados em recursos para o sujeito regular a sua própria ação. Desse relacionamento surge a auto-regulação, que é fundamento do ato voluntário. Assim, fica caracterizado o processo pelo qual o funcionamento do plano intersubjetivo permite criar o funcionamento individual. Quando o homem se depara com o novo e tem que tomar decisões existe a percepção da necessidade de reconhecer aos seus sentimentos que muitas vezes não condizem com o sentimento geral do que é certo ou errado.
A perda de referências coletivas, como a religião, a "raça", o "povo", a família, ou uma lei confiável obriga o homem a construir referências internas. Surge um espaço para a experiência da subjetividade privada: quem sou, como me sinto, o que desejo, o que considero justo e adequado? (FIGUEIREDO; SANTI, 2000, p. 20)
A fim de compreender melhor os impactos da internet sobre o comportamento das pessoas, desenvolvemos este estudo, que levantará dados sobre adolescentes que usam a rede de comunicação e sites de relacionamento. Dias e Taille (2004, p.192) consideram que "atualmente, o adolescente é visto tanto como particularmente sensível a mudanças sociais como gerador dessas transformações"
O adolescente passa por transformações físicas e emocionais, procurando um modelo a seguir, procurando pertencer a um grupo para adquirir sua identidade própria.
"É um período no qual o indivíduo deve integrar suas experiências passadas às novas capacidades e habilidades emergentes, assim como às mudanças biológicas, cognitivas, emocionais e sociais na conquista de um senso de identidade" (ERIKSON, 1971, apud DIAS; TAILLE, 2004, p. 192). A adolescência é uma fase do desenvolvimento humano universal e inevitável. Nesse período varias transformações ocorrem na mente e corpo independente da condição sócio histórica em que vive.
Como fase do desenvolvimento, as características são universais e inevitáveis. Tomadas como fruto do desenvolvimento são também naturalizadas. É da natureza do homem e de seu desenvolvimento passar por uma fase, como a adolescência. As características dessa fase, tanto biológicas quanto psicológicas, são naturais. Rebeldia, desenvolvimento do corpo, instabilidade emocional, tendência à bagunça, hormônios, tendência à oposição, crescimento, desenvolvimento do raciocínio lógico, busca da identidade, busca de independência, enfim todas as características são equiparadas e tratadas da mesma forma, porque são da natureza humana. (BOCK, 2004, P. 37)
Em nossos dias a internet já não é mais um mistério para a geração de adolescentes. As crianças já nascem em um mundo no qual a internet está inserida e ela passa a ser mais um aparelho a ser utilizado no dia-a-dia, já que a proposta de alguns países, como os EUA, é a de popularizar o computador para que todos possam ter um em sua casa, seja uma pessoa de classe alta ou baixa.
"A atração dos adolescentes pelos computadores já foi largamente reconhecida na literatura psicológica, havendo muitos estudos realizados na área da educação e solução de problemas." (DROTNER, apud DIAS; TAILLE, 2004). No entanto questões relativas à influência desse instrumento no contexto social do adolescente ou os possíveis efeitos psicológicos de sua utilização ainda carecem de maiores investigações até o presente momento.
A internet é uma rede mundial interligada com infinitas possibilidades para conhecer e passar um determinado tempo conversando com pessoas, através de aplicativos de relacionamento como: o ICQ, MSN, Skype, Orkut, salas de bate-papo dos sites e ainda sites de relacionamento como: Alma Gêmea, Par-perfeito entre outros. Porém existe uma ambivalência porque para a pessoa estar conectada com essa rede mundial e conversando com uma ou até mais pessoas é necessário que o internauta esteja sozinho com uma máquina. Sanders, Field, Diego e Kaplan (2000) citados por Dias, Taille (2004) também realizaram pesquisas e em seus estudos descobriram níveis de depressão, isolamento e relacionamento social fraco entre os usuários de internet. Dias e Taille (2004) citaram também o estudo de Griffits (1997), segundo o qual a internet pode levar a adição ao jogo, risco de exposição ao material pornográfico e contato com pedófilos e que o estereótipo do adolescente dependente da internet é o que tem problema de relacionamento e é inseguro, e aquele que provavelmente possui pouca ou nenhuma vida social.
Ao usarmos os recursos que um computador tem a nos oferecer para nos conectarmos à Internet temos que nos manter atualizados com o próprio computador, com o seu sistema operacional ou com os próprios softwares usados para relacionamentos. Para se manter atualizado é necessário tempo e dedicação para descobrir recursos de novas versões, o que leva o adolescente a usar muito tempo na frente de um computador para se relacionar e também para se atualizar e entender os novos softwares e recursos. A interação com a máquina fica muito grande, e montamos uma estrutura psicológica através do funcionamento interno que é resultante de uma apropriação das formas de ação que estão intimamente interligadas a estratégias e conhecimentos dominados pelo sujeito como, também, a ocorrências no contexto interativo. Assim como a Revolução Industrial trouxe conseqüências, precisamos antever quais as possíveis conseqüências do fato dos adolescentes iniciarem essa fase do desenvolvimento passando horas comunicando-se com pessoas, porém interagindo apenas com uma máquina."

Autor: Franchi Foglia - Psicólogo

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