quinta-feira, 1 de setembro de 2011

"O Homem do Futuro" recicla ficção científica hollywoodiana


Wagner Moura: "astronauta" do tempo
"A ficção científica é um gênero sem nenhuma tradição no cinema brasileiro. O realismo fantástico até dá as caras de vez em quando, mas aquela ficção de raiz, com cientista maluco e tudo, permanece praticamente inédita. Isso até "O Homem do Futuro", que estreia nesta sexta-feira (02), dirigido por Cláudio Torres ("A Mulher Invisível"). O filme estrelado por Wagner Moura é tão radical nesse sentido que recicla boa parte do que já se fez na seara da viagem no tempo, por onde o roteiro trafega.
O sentimento de déjà vu acompanha o espectador por algum tempo. A principal influência para a história, escrita pelo próprio Torres, parece ter sido a trilogia "De Volta para o Futuro". Também comparecem "Carrie, a Estranha", "Exterminador do Futuro", "Efeito Borboleta", Tim Burton e alguns elementos típicos da sociedade norte-americana, como o tradicional baile de formatura, convertido numa festa a fantasia de final de ano. Lá pelas tantas, depois de ouvir um bom número de frases clichês do gênero ("esta noite somos deuses!", "em que ano nós estamos?"), já se aprende como o jogo funciona e a jornada flui sem muitos solavancos.

Trailer Oficial "O Homem do Futuro" 

 


O filme segue Zero (Wagner Moura, no modo caricatura ligado no máximo), pesquisador brilhante, professor excêntrico e homem amargurado. Sempre de jaleco branco e olhar vidrado, Zero, vulgo João, está trabalhando num projeto que pode mudar o mundo, algo que envolve um conversor de partículas, micro buracos-negros e alguma outra expressão tirada de "Física para Leigos". Contrariando as ordens da chefe (Maria Luísa Mendonça, mulher do diretor), o cientista dá início a um experimento e viaja 20 anos no passado, para 1991. Ao longo da história se entende que ele tentava encontrar uma forma alternativa de energia – mas para isso ele precisava entrar numa cápsula e se trancar lá dentro?
Assista a um vídeo exclusivo dos bastidores de "O Homem do Futuro"

Alinne Moraes: perfeita na telona
A questão é que Zero volta para um dia fundamental de sua juventude, quando ainda estava na faculdade, gago e nerd da cabeça aos pés. Naquela noite, ele passaria por uma experiência traumática nas mãos de sua paixão, a belíssima Helena (Alinne Moraes), e do valentão Ricardo (Gabriel Braga Nunes). Convencido de que se mudasse o rumo dos acontecimentos sua vida deixaria de ser miserável, Zero segue em frente e, moral da história, descobre que estragou tudo no futuro. No meio do caminho, ainda aparece Otávio (Fernando Ceylão), o amigo gordinho que emula, sem muito sucesso, o britânico Edgar Wright ("Todo Mundo Quase Morto").
A trama não guarda muitas surpresas para quem conhece o riscado. O que importa, na verdade, é criar o clima de comédia romântica, grande sacada de Cláudio Torres, ciente do que o povo gosta e do que o mercado quer. Por isso não adianta ficar questionando por que diabos Alinne Moraes – linda no telão do cinema, que valoriza seu rosto muito mais do que a TV – daria bola para o personagem de Wagner Moura. Afinal, não se trata de uma comédia romântica corajosa ou com diálogos inteligentes: o negócio aqui é jogar para ganhar, sem subverter regras ou arriscar. Essa parcela ficou a cargo da extravagância da ficção científica."

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